terça-feira, 18 de julho de 2017

O novo cisne de pedra: Neuschwanstein

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Há certamente um pouco de má vontade vontade em qualificar o rei Luís II da Baviera (1845-1886) apenas de demente.

Pois ele foi apelidado também de “Rei Cisne” ou “Rei de Conto de Fadas”, tendo escrito o seguinte belo texto:

“É minha intenção reconstruir a ruína do velho castelo em Hohenschwangau, próximo do Desfiladeiro de Pollat, no verdadeiro espírito dos velhos castelos dos cavaleiros alemães […]

“ a localização é a mais bela que alguém pode encontrar, sagrada e inacessível, um templo digno para o divino amigo que trouxe a salvação e a verdadeira bênção ao mundo”.

Em “Ambientes, Costumes, Civilizações” — seção da prestigiosa revista de cultura católica Catolicismo — o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira se refere ao Neuschwanstein como “o senso do combate e da dignidade afidalgada”.

E estabelece um contraste entre o mundo fabuloso de Luís II [pintura] e o espírito terra-a-terra do mundo moderno:

“O pobre Luís II tinha essa qualidade. Porque o que ele procurou fazer brilhar nos castelos dele foi sempre o fabuloso.

“O castelo de Neuschwanstein mostra um dos aspectos bonitos da alma do rei. Pode-se ver aí o que ele poderia ter sido, se não se tivesse transviado”.

O pensador católico brasileiro emite ainda um julgamento sobre esse rei, que impressiona:

“Ele era apaixonado pelas coisas medievais e mandou construir um castelo medieval. Mas na Idade Média não se construíam castelos assim.

“Ele imaginou um prédio não precisamente medieval, mas com todo o espírito medieval. Há ali alguma coisa que transcende o gótico”.

Esta última frase chega a ser ousada, mas é verdadeira!

Voltemos aos seus comentários:

“A primeira impressão que o castelo sugere, a meu modo de ver, é causada pelo jogo das torres, sobretudo da torre mais alta, que parece desafiar os montes atrás como quem diz: eu estou no cume do orbe, mais alto que eu não há ninguém.

“O corpo principal do castelo, constituído de vários andares, é o traço de união entre dois outros edifícios que terminam também em torres, mas desiguais.

“A entrada do castelo, que remata e recolhe toda a atmosfera de grandeza que se vê, fecha essa grandeza numa como que taça, representada pelo pátio interno do edifício.

“Trata-se de uma construção de pedra ou de tijolo avermelhado, com um portal magnífico. Tem-se a ideia de algo hierárquico.

“Visto o edifício de baixo para cima, há um grande terraço, de onde se domina a natureza.

“O castelo espelha um aspecto altamente hierárquico da grandeza, que tem graus e que neles se desdobra, até tocar os homens menores. Ele oferece como que um afago a quem nele quer entrar com boa intenção”.

De tal maneira Luís II tinha um apelo para a fábula, que até o trenó que ele mandou fazer para andar à noite na neve é o de um herói de fábula.

Viajando num trenó de fábula na paisagem fabulosa, gelada mais do que nevada, dos montes da Baviera durante o inverno.

Assim, Neuschwanstein é um castelo altamente simbólico. E fabuloso!

Pensar nisso é um antídoto para os dias que correm, tão sem-graça nem grandeza!




Vídeo: O novo cisne de pedra: Neuschwanstein










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terça-feira, 4 de julho de 2017

Castelo medieval europeu ou castelo japonês? Diferenças e afinidades

Castelo de La Rochefoucauld, Poitou, França
Castelo de La Rochefoucauld, Poitou, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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Do Japão geralmente só se ouve hoje falar em termos de bips, chips, business. Mas isto não é objetivo, pois, para quem sabe ver, trata-se de um apreciável país.

Durante o período Nara — 545 a 794 — havia muitos senhores feudais que passaram a se envolver em combates.

Foi desde então que começaram a erguer estruturas e construções cercadas por fossos, que ganharam o nome de Kinowa e Kinowasaku.

Essas construções eram usadas para a própria defesa dos Daimyo, como eram chamados os senhores feudais da história japonesa.

Em que sentido um castelo japonês é diferente do castelo do ocidente medieval?

“Do castelo europeu, tem-se a impressão de que deita as garras no rochedo. É constituído de torres fortes, prontas para desafiar o vento e o clima hostil.

“No castelo medieval, os muros são guarnecidos de ameias e barbacãs para os guardas circularem, a fim de proteger a muralha contra o adversário.

“Em volta das torres há o fosso com água e a ponte levadiça. […]

“O castelo japonês é um edifício delicado, nobre, próprio a um povo voltado para o sonho.

Castelo Matsumoto, Japão
Castelo Matsumoto, Japão
“E que garante a sua incolumidade contra o adversário através da grossa muralha em volta dele.

“A vida do senhor feudal japonês parece um tanto alheia à luta e à defesa.

“Ele é um contemplativo, vive em suas delícias, suas contemplações, sentado no chão, diante de uma mesinha, vestido com tecidos preciosos, bebendo chá, numa xícara de porcelana muito bonita, e pensando, pensando…”.

E o castelo nipônico não fica muito atrás do europeu.

Contemple-se a fortaleza feudal de Himeji, na cidade que leva esse nome, na província de Hyogo.

Também conhecido como Hakuro-jo ou Shirasagi-jo (Castelo da Garça Branca), começou a ser construído em 1333, tendo sido inteiramente concluído somente 230 anos depois.

Esse castelo japonês lembra em algo o castelo europeu medieval?

“Sim. Embora na arquitetura ele seja profundamente diferente do castelo medieval da Europa, lembra-o quanto ao seguinte aspecto: no ‘élancé’ do edifício.

“O castelo europeu tem como característica principal as torres. Aqui não há propriamente torres.

“Entretanto, o papel que fazem os corpos de edifícios cada vez menores é, no fundo, o de uma torre.

“A silhueta evoca um pouco a ideia de uma torre, ou seja, de um corpo de edifícios que procura galgar os céus, que se perde no alto, indicando elevação de espírito e grandeza de alma muito acentuadas”.

Castelo Himeji, ou da 'Garça Branca'
Em que sentido o Castelo da Garça Branca é diferente do castelo medieval europeu?

“Este não tem, a não ser raras vezes, esta graça. O castelo europeu, tem-se a impressão de que deita as garras no rochedo.

“É constituído de torres fortes, prontas para desafiar o vento e o clima hostil. No castelo medieval, os muros são guarnecidos de ameias e barbacãs para os guardas circularem, a fim de proteger a muralha contra o adversário.

“Em volta das torres há o fosso com água e a ponte levadiça.

“Não se nota propriamente isso no castelo japonês.

“O corpo inteiro do edifício parece dissociado da luta. Não se tem noção, à primeira vista, de que haja um vigia espreitando dia e noite”.

* * *

Mas cá e lá, más fadas há.

Durante o domínio Tokugawa (1603-1868), o que cada daimyo ou senhor feudal podia possuir, era um castelo por feudo.

Com a Restauração Meiji de 1868, o governo aprovou a Lei de Abolição do Castelo em 1873 para, nada menos, demolir todos os castelos, pois segundo os governantes, eles eram uma lembrança do feudalismo.

Assim uma parte da História da humanidade ficou privada dos castelos nipônicos, pois demoli-los significava uma forma, diziam, de modernizar o país.

Castelo de Osaka
Castelo de Osaka
Os castelos japoneses passaram por várias fases de destruição. Dos 170 edifícios período Edo V (1603-1868), 2/3 foram desmantelados até 1875.

Além de muitos outros que foram destruídos por causa de incêndios, terremotos e a Segunda Guerra Mundial, devido aos bombardeios nas regiões da costa do Oceano Pacífico.

Hoje existem apenas doze castelos que ainda permanecem com certos elementos das estruturas originais, como a fortaleza, o fosso ou o portão.

“As diversidades entre os povos são um bem.

“Elas correspondem, no plano humano, às imensas e harmoniosas diversidades com que Deus enriqueceu o universo, diversidades estas que constituem precisamente um dos maiores encantos da criação.

“Assim, as relações entre o Ocidente e o Oriente não devem visar uma insípida e banal uniformização.

“Elas supõem, pelo contrário, que o Ocidente continue bem Ocidente, e o Oriente bem Oriente.

“Trata-se, isto sim de estabelecer um convívio harmônico entre um e outro”.


(Autor: excertos (textos entre aspas) de palestra do prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 22 de junho de 1970, não revistos pelo autor)



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terça-feira, 20 de junho de 2017

O castelo na guerra medieval

Castelo de Foix, nos Pirineus franceses.
Castelo de Foix, nos Pirineus franceses.
Luis Dufaur
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A medida que os costumes se suavizavam por obra da Igreja, a guerra medieval acabou ficando estritamente localizada.

Reduzia-se frequentemente a um simples passeio militar, à tomada de uma cidade ou de um castelo.

Os meios de defesa são então muito superiores aos de ataque.

As muralhas, os fossos de uma fortaleza garantem a segurança dos sitiados.

Uma corrente estendida ao longo da entrada de um porto constitui uma salvaguarda, pelo menos provisória.

La Couvertoirade, antiga sede dos templários no centro da França.
La Couvertoirade é uma antiga sede dos templários
no centro da França.
Para o ataque, a quase nada se recorre, apenas às armas de mão: espada e lança.

Se um belo corpo-a-corpo arranca dos cronistas gritos de admiração, eles só têm desdém pelas armas de covardes — o arco ou a besta — que diminuem os riscos, mas também as grandes façanhas.

Para cercar uma praça, utilizam-se máquinas: catapultas, manganelas, como a sapa e a mina.

Mas confia-se sobretudo na fome e na duração das operações para submeter os sitiados.

Também as torres de menagem estão providas adequadamente.

Enormes provisões de cereais amontoam-se em vastas caves, que a lenda romântica transformou em “masmorras”.

Arranjam-se de modo a ter sempre um poço ou uma cisterna no interior da praça-forte.

As masmorras eram vastas caves que serviam de reserva. Continham apenas um orifício circular no meio da abóbada, pelo qual se faziam passar os cestos para tirar o grão.

Elas existem ainda em certos países, como por exemplo, a Argélia.

Quando uma máquina de guerra é demasiado mortífera, o papado proíbe o seu uso.

Stirling foi disputado durante séculos entre a Escócia e a Inglaterra.
Stirling foi disputado durante séculos entre a Escócia e a Inglaterra.
A pólvora de canhão, cujos efeitos e composição se conhecem desde o século XIII, só começa a propagar-se no dia em que a autoridade dos Papas já não é suficientemente respeitada, e em que já se começam a esboroar os princípios da Cristandade.


(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)



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terça-feira, 6 de junho de 2017

Chambord recupera o esplêndido manto de seus jardins

Chambord e seus jardins restaurados.
Chambord e seus jardins restaurados.
Luis Dufaur
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O castelo de Chambord voltou a exibir seus esplendorosos jardins à francesa, mercê de um mecenas estrangeiro, noticiou Francetvinfo.

Esses jardins eram considerados no século XVIII um modelo de perfeição, até que a Revolução Francesa e seus sucessores os relegaram à morte.

O ódio igualitário se abateu contra as flores aristocráticas, os desenhos superiores, os panoramas evocadores do Céu Empíreo.

Um mundo de amadores de todas as classes sociais ali se deliciava com um reflexo da beleza divina do Supremo monarca e Criador do universo.

A Revolução do democratismo chulo condenou esses jardins a um lento e desgastante abandono. No fim, só ficou um gramado gigante onde todas as folhas são iguais.

Mas no século XXI, cientes da feiura do crime e da torpeza praticada, estudiosos saíram à procura dos planos do passado e os exumaram conscienciosamente. E assim refizeram o mapa das belezas vegetais dos tempos reais.

“Graças às pesquisas arqueológicas, levantando o gramado pudemos encontrar os canteiros das plantações. Encontramos todos os blocos de terra que estavam plantados”, explicou Pascal Thévard, engenheiro-chefe do canteiro de obras para restaurar o maravilhoso.

É um dos maiores canteiros da Europa nos presentes dias. Custou 3,5 milhões de euros e foi financiado por um mecenas americano mais sensível à beleza que os herdeiros do prosaísmo revolucionário.

Foram necessários cinco meses de trabalhos com grandes equipamentos, num exercício de alta precisão e com margem de erro de quase um centímetro.

Chambord: fases da restauração dos jardins.
Chambord: fases da restauração dos jardins.
Foram replantados mais de 1.500 árvores e arbustos.

Envolto numa majestosa parure de flores e formas clássicas, triunfo da inteligência associada à natureza, o castelo de Chambord pode agora receber os mais de 850.000 visitantes que o visitam todo ano.

A revista “Connaissance des Arts” lembra que os jardins de Chambord foram imaginados na época de Luís XIV e realizados no século XVIII.

O desenho que está sendo restaurado é de 1734. Ele sobreviveu durante mais de dois séculos até cair no abandono.

O projeto visa à restituição na sua autenticidade dos únicos jardins estruturados que existiram historicamente no local.

As pesquisas dos documentos, as prospecções geofísicas e arqueológicas, os estudos paisagísticos e arquitetônicos, as descobertas dos locais dos parterres, das fileiras e dos recantos de árvores demoraram dezesseis anos.

Mas eis o magnífico tapete vegetal que ressurge, segundo o plano original.

Os jardins ocupam seis hectares e meio até o pé da fachada norte do castelo. Eles estão compostos por mais de 600 árvores, 800 arbustos, 200 roseiras e 15.250 plantas para marcar as margens floridas, além de 18.874 m2 de gramado, acrescentou “Connaissance des Arts”.

Chambord uma das salas interiores restauradas no século XIX
Chambord uma das salas interiores restauradas no século XIX
A revista “Paris Match” destacou que se trata de um dos mais belos castelos mandados construir pelos reis da França.

É uma das obras-primas da arquitetura da Renascença, que conservou a estrutura fundamental de um castelo medieval.

Situado no coração do vale do Loire, Chambord surgiu em meio a terras pantanosas da região de Sologne, no outono de 1519.

O rei Francisco I gostava de caçar e quis um castelo para se refugiar no meio de uma floresta cheia de animais selvagens.

Ele morreu em 1547, sem vê-lo acabado. Seus sucessores continuaram os trabalhos, até que, por fim, Luís XIV impôs sua marca no exterior e mandou fazer os jardins no norte e no leste do castelo. Luís XV mandou formar alas com árvores e recantos ou bosquets.

Mas, após um século conturbado de revoluções e democratismo, por volta de 1930 dos jardins à la française só ficavam espaços rasos preenchidos por gramados e uma remota saudade do que tinha existido.

Stephen Schwarzman, mecenas americano que favoreceu muito o Museu do Louvre, doou os recursos para restaurar o conjunto dos jardins na parte dianteira do castelo, assim como os tinham desejado o Rei Sol.

O projeto “Les Jardins à la Française” é dirigido por Jean d'Haussonville, responsável pela manutenção do castelo, hoje propriedade do Estado.

A abertura dos novos-antigos jardins aconteceu em abril, na primavera francesa, evocando tempos da Civilização Cristã, em que a monarquia convivia em íntima união com o espírito que a Igreja Católica irradiava a mancheias.















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